No exterior e em desacordo: como a guerra dividiu os iranianos na diáspora.

 

Iranianos no exterior dividem-se entre oposição ao governo e rejeição à guerra

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão colocou muitos iranianos que vivem no exterior diante de uma situação difícil: continuar a oposição ao governo iraniano sem apoiar uma intervenção militar estrangeira.

Um dos exemplos é Peyvand Khorsandi, que deixou o Irão ainda criança com a família e se mudou para o Reino Unido em 1976, poucos anos antes da Revolução Islâmica de 1979.

Seu pai, Hadi Khorsandi, era conhecido como poeta e satirista. Em 1984, ele foi alvo de uma tentativa de assassinato em Londres que, segundo relatos, teria sido organizada pelo governo iraniano. A operação acabou sendo impedida pelas autoridades britânicas depois de uma denúncia feita por um funcionário iraniano que posteriormente deixou o país.

“É decepcionante e deprimente”

Apesar da história da sua família e da oposição ao governo de Teerão, Peyvand Khorsandi afirma que não apoia a guerra conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Na sua avaliação, o conflito pode ter fortalecido politicamente o próprio governo iraniano e prejudicado aqueles que defendem mudanças democráticas dentro do país.

A posição de Khorsandi representa um dilema vivido por parte da comunidade iraniana no exterior: rejeitar as políticas do governo de Teerão, mas ao mesmo tempo considerar que ataques militares estrangeiros podem causar ainda mais sofrimento à população.

Seis meses de conflito

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação militar conjunta contra o Irão.

Desde então, o conflito provocou fortes impactos humanitários e económicos. Milhares de pessoas morreram, incluindo muitos civis, enquanto os combates também afetaram outros países da região, especialmente o Líbano.

A instabilidade também teve consequências para a economia mundial, com alterações nos preços da energia e aumento das preocupações sobre o fornecimento internacional de petróleo.

Iranianos continuam divididos

Enquanto alguns opositores do governo iraniano defendem mudanças políticas profundas, outros receiam que uma guerra prolongada ou uma intervenção estrangeira torne ainda mais difícil alcançar uma transição democrática.

O debate mostra que a posição dos iranianos que vivem dentro e fora do país não é uniforme. Para muitos, ser contra o governo iraniano não significa necessariamente apoiar uma guerra estrangeira.

À medida que o conflito continua, essa divisão deverá permanecer como uma das questões mais delicadas entre a diáspora iraniana.

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